Sacrifício e oferta não quiseste; os meus ouvidos abriste; holocausto e expiação pelo pecado não reclamaste.
— Sl 40.6
Davi escreveu este salmo baseado numa de suas experiências de rejeição, provavelmente quando seu filho Absalão rebelou-se e furtou os corações das pessoas (IISm 15.6). Davi clama ao Senhor numa oração em que pede livramento. No versículo seis, Davi faz uma referência à lei hebraica concernente ao servo.
I – A Lei do Servo Hebreu
A lei concernente ao serviço hebreu é explanada duas vezes nas Escrituras (Ex.21.1-6; Dt.15.12-18). Israel era uma nação agrícola. Na economia agrária, os pequenos proprietários de terras às vezes faliam. O proprietário, em vez de vender sua pequena propriedade, oferecia-se como servo para algum fazendeiro.
Não se tratava de um acordo perpétuo, mas com duração de seis anos apenas. No sétimo ano esse servo devia ser libertado. Ele só devia levar consigo a esposa e os filhos adquiridos durante a servidão. Neste período o contrato terminava, e ele voltaria provido de mercadoria para reiniciar sua vida.
II – A Escolha de Permanecer
Quando esse servo ou escravo resolvia não abandonar seu senhor e optava em continuar servi-lo, a fim de oficializar esse ato e servi-lo perpetuamente, teria que participar de uma pequena cerimônia prescrita para a ocasião.
Eu amo meu senhor, e minha mulher, e meus filhos; não quero sair forro.
— Ex 21.5
Em seguida era levado à porta de madeira e sua orelha era furada com um sovelo — um instrumento de ferro ou de aço em forma de haste, cortante e pontiagudo — deixando uma cicatriz permanente, ou seja, uma marca de servidão. A partir de então ele não devia retroceder; devia servir seu senhor pelo resto da vida.
III – A Aplicação Espiritual
Aqui especificamente, Davi declara sua devoção a Deus, sendo servo obediente. Ele observa que Deus não está interessado na faceta cerimonial dos sacrifícios. Os sacrifícios legais de animais eram apenas figuras do único sacrifício legal e verdadeiro pelo pecado — Jesus.
'As minhas orelhas furastes' (Sl.40.6) — é a declaração de servo que escolheu livremente servir seu Senhor não por obrigação contratual, mas por amor. O servo de orelha furada é aquele que, tendo tido a oportunidade de partir, preferiu ficar. É o retrato do discipulado voluntário, da entrega radical motivada por amor, não por medo.
Referências bibliográficas
- Ele Humilhou-se a Si mesmo — Kenneth C. Fleming