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Artigo teológico · Novembro 2010

Quando um Espinho Agrada a Deus — Parte 1

Estudo sobre o 'espinho na carne' do apóstolo Paulo (2Co 12.7-10): o que era, por que Deus o permitiu, e como o sofrimento pode ser instrumento de santificação e dependência de Deus.

ES

Pr. Eliel Sobrinho

Ministro da Palavra · Professor de Teologia

E, para que não me exaltasse pela excelência das revelações, foi-me dado um espinho na carne, o mensageiro de Satanás, para me esbofetear, para que não me exaltasse demais.

2Co 12.7

I – O Contexto do Espinho

Paulo acabara de descrever a experiência extraordinária de ser arrebatado ao terceiro céu (2Co 12.1-6), onde ouviu palavras inefáveis — αρρητος arrhetos — que significa 'inexprimível, o que não pode ser expressado por causa de sua santidade'. Era de uso comum nas religiões e indicava aquilo que era sagrado demais para ser falado.

Imediatamente após esse relato de exaltação espiritual excepcional, Paulo menciona o espinho. A justaposição não é acidental: quanto maior a revelação, maior o perigo do orgulho. Deus sabia disso, e o espinho foi a providência divina para guardar o apóstolo.

II – O que Era o Espinho

O termo 'espinho' no grego é σκόλοψ skolops, que significa literalmente uma estaca, um espinho, uma lasca afiada. Usado metaforicamente para algo que cause dor constante e irritação persistente. Paulo diz que foi 'dado' — passivo divino — indicando que Deus foi o agente último, embora Satanás fosse o instrumento.

A função desse mensageiro ou anjo (αγγελος aggelos) era um mensageiro enviado, para que Paulo não se exaltasse pelas suas excelências das revelações. O espinho na carne de Paulo foi para preveni-lo do pecado de orgulho.

Observa-se que o texto não explica qual era a natureza do espinho. Isso é proposital — a experiência do sofrimento como instrumento de santificação é universal, e o apóstolo descreve o princípio, não o diagnóstico.

III – As Implicações do Espinho

Três vezes Paulo orou ao Senhor para que o espinho fosse removido (vr.8). A resposta de Deus foi definitiva: 'A minha graça te basta, porque o meu poder se aperfeiçoa na fraqueza.' Deus não removeu o espinho; Ele revelou o propósito do espinho.

  • O espinho guardava Paulo do pecado da soberba — o mais perigoso dos pecados espirituais
  • O espinho ensinava Paulo a depender exclusivamente de Deus
  • O espinho revelava que o poder de Deus se aperfeiçoa na fraqueza humana
  • O espinho tornava Paulo um ministério mais autêntico — sofrimento vivido, não apenas pregado

De boa vontade, pois, me gloriarei nas minhas fraquezas, para que em mim habite o poder de Cristo. Por isso, tenho prazer nas fraquezas, nos insultos, nas necessidades, nas perseguições, nas angústias por amor de Cristo. Porque quando sou fraco, então, é que sou forte.

2Co 12.9b-10

Referências bibliográficas

  • O Espinho na Carne — F. F. Bruce
  • Comentário de 2 Coríntios — Philip E. Hughes
  • Bíblia de Estudo Pentecostal
  • Biblioteca Digital Libronix
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Conteúdo publicado com autorização do autor. Ver blog original